Movidos Pela Arte // Capítulo Quinze

 Um Encontro Inesperado

   Na semana seguinte Belle e Liza reabriram a Coffee Bean a pedido de Sang-Ook que ainda cuidava da sobrinha em Busan, devido as férias de verão o movimento variava bastante. Myung, Ji-ho, Ban-ryu e os demais do grupo iam sempre para ajudar antes do início dos estágios que seriam na segunda semana de férias.

   Então, no sábado antes de Liza iniciar seu estágio, que a faria trabalhar apenas no período da tarde até o horário de fechar o café, Sr. Sang decidiu que passaria um mês com Jennie, isso fez com que Belle assumisse algumas responsabilidades no café.

   - Sei que conseguirá dar conta Srta. Belle – disse Sang-Ook ao telefone – é uma das funcionárias mais dedicadas e mais organizadas que tenho.

   - Mas não seria melhor colocar alguém mais experiente?

   - A mais experiente é a Srta. Liza e ela estará a maior parte do dia fora por conta do estágio – explicou ele – não se preocupe, e quando eu voltar podemos conversar sobre você ter alguns dias de folga ou o pagamento de horas extras para compensar o período que estará em meu lugar.

   - Obrigada pela confiança Sr. Sang – disse sem graça – vou dar o meu melhor.

   - Sei que irá – disse com um sorriso na voz – tenha um bom dia Srta. Belle

   - O senhor também – disse – manda lembranças a Jennie e aproveite seu descanso.

   - Belle não surta – disse Liza – vai dar tudo certo, quando eu estiver aqui te ajudo no que for, e o mês vai passar rapidinho.

   Ela tinha medo de algo dar errado, mas afastou o pensamento e continuou o trabalho, quando fechou o café as 22h Myung e Ji-ho estavam esperando por elas.

   - Achei que você viajava hoje – disse Liza a Ji-ho.

   - Vamos amanhã – respondeu – meu pai estava cansado e minha mãe achou melhor irmos amanhã para não correr riscos, já que será uma viagem longa por irmos de carro.

   - Entendi – disse.

   - Para onde vão viajar? – perguntou Belle.

   - Vamos para a ilha Jeju – respondeu – meus pais querem ir de carro e pegar a balsa, eles querem aproveitar a vista e fazer paradas pelo caminho para conhecermos outros lugares.

   - Que legal, mas parece ser uma viagem bem longa.

   - De carro sim – disse – cerca de 27 horas de viagem, sem contar as paradas.

   - Isso não vai te atrasar para o estágio? – Quem perguntou foi Myung.

   - Não – respondeu – começa apenas na quarta-feira.

   - Ah sim – disse – vamos indo para a casa do Ban-ryu, acho que só falta nós a chegar.

   - Como alguém esquece o próprio aniversário? – Perguntou Belle.

   - Ban-ryu é assim, as vezes ele nem liga muito para o aniversário dele – disse Myung – ele diz que não tem nada demais ficar mais velho.

   Eles chegaram à casa de Ban-ryu, onde estavam apenas a família, alguns amigos da escola de artes e os demais do grupo misto que eles eram. Belle deu a ele um desenho que havia feito, retratando vários de seus momentos desde que se conheceram

   - Belle – disse dando um abraço forte nela – eu amei, vou deixar no meu quarto.

   A noite foi tranquila eles ficaram a noite inteira conversando e Belle pode conhecer um pouco mais sobre o curso de artes com os amigos da turma de Ban-ryu, até que em um momento ele pediu ajuda dela para pegar algumas coisas para eles todos comerem.

   - Então, como vocês estão depois daquele beijo na piscina? – Perguntou Ban-ryu quando estavam afastados dos demais.

   - Estamos bem. – disse ela – ele continua sendo o mesmo comigo, nós conversamos bastante sobre as coisas, ele não pressiona e nem cria situações. Estamos bem como amigos, por enquanto é assim que vamos ficar.

   - Ele admitiu que está apaixonado por você e você por ele, então, o que mais está impedindo vocês? Eu não entendo essa enrolação.

   - Não sei se estou preparada para outro relacionamento – disse ela separando batatas para eles – ele é completamente diferente do Giovanni, sei que com ele vai ser bem diferente, mas eu ainda não consigo dar esse passo, embora as vezes eu queira muito, não quero apressar as coisas e acabar dando errado e perder a amizade dele.

   - Eu admiro o autocontrole de vocês dois – disse ele – eu já não estaria mais me contendo.

   - Se serve de consolo, não está sendo tão fácil quanto parece – ela riu – agora ele vai viajar, então vamos ver como serão as coisas quando ele voltar.

   Eles voltaram para a sala com os demais e não tocaram mais no assunto durante o restante da festa.

   - Por fim acabamos nos reunindo hoje – disse Gang-tae.

   - Sim – o grupo concordou.

   Na hora de irem embora, Ji-ho e Myung levaram Liza e Belle em casa, e na hora de se despedir Liza desejou sorte a Ji-ho em seu estágio.

   - Obrigada Liza – agradeceu – para você também.

   - Boa viagem amanhã – disse Belle ao abraçá-lo – e boa sorte no seu estágio, aposto que será ótimo.

   - Obrigada Belle – ele falou ao se afastarem – te aviso assim que eu chegar e vou te mandar mensagens sempre que der, e se não se importar te ligar antes de dormir.

   - Vou adorar – ela deu um sorriso largo – Até mais, Tchau Myung, até amanhã.

   - Até Amanhã Belle – Myung já estava no carro.

   - Até Belle – ele deu um beijo carinhoso em seu rosto e partiu com Myung.

   No decorrer do mês Belle trabalhou todos os dias da abertura ao fechamento do café, Ban-ryu aparecia para fazer companhia quando Liza estava na Modern Table, ela parava apenas para almoçar e geralmente passava esse período desenhando e falando com Ji-ho.

   - Esse estágio está sendo ótimo – disse ele certo dia – estamos fotografando para uma revista, e as melhores fotos serão publicadas e eles irão divulgar o fotógrafo e a universidade.

   - Nossa – exclamou – tenho certeza de que suas fotos irão entrar.

   - Eu não estou tão preocupado com essa parte – disse – a experiência para mim é o que interessa mais. Estou aprendendo muitas coisas aqui.

   - Eu imagino – disse ela – fora isso, como estão as coisas?

   - Estão ótimas – ele parecia bem animado – meus pais e o meus irmãos estão aproveitando bastante, Jonnie está conhecendo todos os lugares possíveis e praticando todos os esportes que pode.

   - Que bom que estão se divertindo – ela bebeu um pouco de seu suco – você não está preso apenas na fotografia não né? Também está tirando tempo para se divertir?

   - Estou sim – disse rindo – embora minha câmera esteja sempre comigo, eu estou aproveitando um pouco também, mas pretendo voltar uma outra vez apenas para poder aproveitar.

   - Seu estágio vai durar todo o período de férias?

   - Acaba duas semanas antes do início do semestre – disse – e voltamos dois dias depois.

   - Ah entendi.

   - E como estão as coisas por aí?

   - Está um pouco puxado – ela soltou um suspiro – ter que cuidar das escalas de folgas, trocas, horários, caixa, e ainda atender. Não sei como ele conseguia fazer isso sozinho.

   - Acho que é pelos anos de prática.

   - Deve ser – ela fez uma pausa para mastigar – porque é realmente muita coisa.

   - Mas vocês está se saindo bem – ele tentou tranquilizá-la – e quando ele volta de Busan?

   - Daqui dez dias – respondeu – por enquanto.

   - Vai passar rapidinho – disse – e você vai poder tirar uns dias para descansar.

   - Isso vou ver com ele depois – disse ela – Ji-ho eu vou voltar ao trabalho o café está ficando cheio.

   - Deve ser pelos turistas – ele fez uma pausa – bom trabalho Belle, me avisa quando sair?

   - Claro – disse – boas fotos – e desligou.

   Belle se levantou e voltou as suas tarefas, o café de fato havia ficado cheio naquele dia devido turistas vindos do mundo todo, ela percebeu um grupo falando em italiano que lhe parecia familiar sentado poucas mesas da que estava almoçando, quando foi atendê-los percebeu que se tratava de um grupo da sua antiga escola de dança.

   - Choi – ela chamou um dos meninos que trabalhavam lá – Poderia atender aquela mesa para mim por favor?

   - Claro Belle – ele se dirigiu a mesa, mas não ficou muito tempo e retornou.

   - O que houve? – Perguntou ela com medo da resposta.

   - Eles só falam inglês ou italiano, eu não entendo muito bem. – disse cabisbaixo – desculpe.

   - Tem alguém aqui que fale inglês? – Perguntou.

   - Tem a Liza, o Dae-hyun e o Bae mas eles não chegaram ainda – ele olhou para ela – fora eles só você.

   - Obrigada Choi, eu vou lá atendê-los então.

   Ela se dirigiu até o grupo composto por três mulheres e dois homens, sendo um casal de professores e os demais eram alunos quando Belle saiu da companhia, a professora nada mais era que a melhor amiga de sua mãe, percebeu que não tinha como sair dessa situação.

   - Boa tarde – Saudou em italiano – Sou Isabelle e irei atendê-los hoje – Ela colocou as garrafas de água que eram cortesia e os copos a mesa para que se servissem – gostariam de fazer o pedido?

   - Isabelle Cestari? – Disse uma das alunas.

   - Belle – disse a professora se levantando e dando um abraço nela – quase não dá para te reconhecer, como você está linda, como estão as coisas querida? Você está bem?

   - Obrigada Sra. Esposito – Ela agradeceu com um sorriso – Olá Sr. Benedetti. Eu estou bem, está tudo caminhando bem, e como estão as coisas na companhia?

   - Fico feliz que esteja dando tudo certo – ela segurou os ombros de Belle – a companhia está indo bem, embora tenhamos perdido uma das melhores alunas.

   Belle não havia contado para a Sra. Esposito, que sairia de Génova para ir estudar na KNUA, e não esperava que ela fosse aparecer por lá, não tão cedo pelo menos.

   - Quando eu for para Génova vou dar uma passada na academia – Belle sabia que não conseguiria mais se esconder – O que traz vocês a Seul?

   - Temos uma competição que será aqui, Giulia, Pietra e Don irão se apresentar – ela apontou para as meninas e o rapaz – tentei te ligar, para saber como estavam as coisas, mas seu número deu fora de área.

   - Mudei o número depois que vim para cá – ela não mentiu, de fato tinha um chip com número coreano, mas também possuía o italiano apenas para a família – precisava de um daqui.

   - Ah sim – exclamou – a competição será hoje às 19h no teatro nacional, gostaria muito que fosse.

   - Infelizmente vou trabalhar – disse.

   - Que pena – lamentou Sra. Esposito – Vou avisar o Math que está aqui para ele vir te ver, ele está morrendo de saudades.

   - O Matheo veio? Pensei que ele estava nos EUA ainda.

   - Ele está de férias e quis nos acompanhar – Math, melhor amigo de Belle, era filho da Sra. Esposito.

   - Vou adorar vê-lo – Belle sentia muita fala dele.

   - Já mandei o endereço daqui para ele – disse ela – acho melhor fazermos os pedidos para não atrasar o seu trabalho querida, isso aqui está lotado.

   Eles pediram chás gelados devido o dia quente, bolos e hoddeoks para comerem antes de irem embora.

   - Uma pena que não possa nos assistir – Disse Sra. Esposito antes de saírem – espero que nos visite logo.

   - Assim que for para Génova aviso vocês – ela deu um abraço nas meninas ao saírem.

   - Nós estaremos aqui pelos próximos três dias, será bem-vinda no Hotel – Sra. Esposito deu um abraço forte em Belle – desculpe qualquer coisa, não esperava encontrá-la por aqui – ela baixou o tom de voz – mas, você sabe que uma hora ele vai acabar descobrindo, não é?

   - Não precisa se desculpar – tranquilizou – sabia que não ficaria em segredo para sempre, só espero que ele não apareça por aqui.

   - Vou tentar evitar que isso chegue a ele – prometeu – bom trabalho querida, foi muito bom ver você – deu um beijo em Belle – mande um beijo para Nina

   - Boa sorte na competição – Sra. Esposito agradeceu e saiu do café.

   Quando estava para fechar o café Belle contou a Liza e Ban-ryu que eram os únicos que ainda estavam ali além dela, o que havia acontecido mais cedo.

   - Se ele aparecer aqui eu acabo com ele – disse Liza.

   - Muito azar só ter você que conseguisse atender eles – Disse Ban-ryu – isso que eu chamo de força do destino.

   - Eu só queria que o Matheo tivesse vindo me ver – ela estava um pouco triste – eu sinto tanta falta dele.

   - Queria ver o Matheo – disse Liza – ele era tão legal. Eu achava que vocês dois acabariam namorando.

   - Ele é meu amigo – disse Belle – quase meu irmão.

   - Mas vocês dois ficavam do mesmo jeito que você fica quando está com o Ji-ho – provocou Liza – a diferença é que com o Ji-ho eu sei que é mais que amizade.

   - Eu já tive um amor platônico por ele, e não durou muito – contou ela – logo estávamos nos ajudando a conquistar as pessoas que nos apaixonávamos – ela riu lembrando.

   - Quem nunca se apaixonou brevemente pelo melhor amigo que atire a primeira pedra – disse Ban-ryu, nesse momento alguém entrou no café.

   - Desculpe – disse Liza – mas estamos fechados.

   - Oh – disse o rapaz, tinha 1,73 de altura, cabelos castanho-claros, olhos verdes, pele clara e um corpo levemente malhado – Desculpe Liza, eu ainda não entendo bem coreano – ele falou em italiano.

   - Espere – Liza olhou para ele com mais atenção e deu um sorriso– Matheo?

   Belle levantou o olhar assim que Liza foi abraçá-lo, saiu de trás do balcão e se aproximou dele.

   - Você não morre mais – disse se aproximando, ele a abraçou tirando ela do chão – você está pegando firme mesmo na academia em.

   - Sabe que sempre gostei de cuidar do meu corpo – ele olhou para ela – você está uma gata com essas tatuagens e esse cabelo.

   - Obrigada – disse – deixa eu te apresentar – ela virou para Ban-ryu – esse é o Ban-ryu, conheci ele aqui, ele é um artista incrível – Liza estava traduzindo a conversa para ele – e um dos meus melhores amigos aqui.

   - Muito prazer – ele estendeu a mão para Ban-ryu que deu um aperto firme – bom saber que tem pessoas cuidando da minha irmãzinha.

   - O prazer é meu – Ban-ryu respondeu em inglês – Belle falou muito de você.

   - Aposto que só falou meus podres – eles mantiveram a conversa em inglês.

   - Que isso – ela deu risada – se eu estivesse contando seus podres levaria mais um ano falando de você para eles.

   - Gostaria de ir lá em casa Math? – perguntou Liza – estávamos fechando já e aposto que vocês têm muito a conversar.

   - Eu adoraria, vou ficar lá fora esperando vocês terminarem – ele se virou para Belle e voltou ao italiano – seu amigo é lindinho, adoraria conhecer mais ele.

   - Olha – começou olhando para Liza que estava com uma cara de surpresa – aposto que ele também.

   - Ele vai para sua casa? – Perguntou.

   - Ban-ryu – Belle o chamou em coreano – você também vai lá em casa né?

   - É claro – ele deu uma olhada para Matheo – a não ser que queira aproveitar o tempo com ele.

   - Então você vai – ela se virou para Matheo – Já saímos.

   Matheo saiu e Belle voltou ao balcão para terminar de retirar o dinheiro do caixa para guardar.

   - Olha – começou Liza – isso foi uma revelação.

   - Ele é Pan – esclareceu – antes ele achava que era Bi, aí depois de um tempo nos EUA ele entendeu melhor a sexualidade dele.

   - Olha – disse Ban-ryu – eu gostei dele.

   - E ele de você – soltou Liza – quem sabe temos um breve romance.

   Nesse momento Myung estacionou o carro em frente ao café e os aguardou do lado de fora, quando saíram Belle apresentou Matheo a ele e foram para casa.

   Assim que chegaram Belle mandou mensagem no KakaoTalk avisando Ji-ho que havia chegado, Myung havia comprado comida para eles e todos se sentaram na cozinha para comer, havia soju no armário e eles decidiram beber um pouco.

   - Vocês se conhecem a quanto tempo? – Perguntou Ban-ryu a Matheo.

   - Desde os 8 anos – disse ele – nossas mães trabalharam juntas depois que nos mudamos e antes da abertura da escola de dança, descobrimos que éramos vizinhos pouco tempo depois, acabou que a amizade das nossas mães fez surgir a nossa.

   - Que legal.

   - Nós tínhamos o costume de ficar até altas horas vendo filmes – disse Belle – e quando amanhecia íamos para a varanda ou o quintal de casa ver o sol nascer antes de se jogar na cama, lembra Matheo?

   - Nossa – eles estavam nostálgicos – sinto saudades dessa época. Era tão boa.

   - Demais.

   - Agora Belle passa a noite ou desenhando, deitada na rede, na piscina ou no telefone com Ji-ho – disse Ban-ryu.

   - Ela vivia desenhando enquanto a gente assistia filme – disse Matheo – não sei como ela conseguia se concentrar nas duas coisas – ele fez uma pausa enquanto engolia a comida, olhou para ela – e quem é Ji-ho?

   - É um amigo nosso – disse ela, e todos a olharam.

   - Da Belle é um pouco mais que amigo – riu Ban-ryu.

   - Somos só amigos – ela lançou um olhar de reprovação a Ban-ryu.

   - Por enquanto Belle – disse Liza rindo e Belle revirou os olhos para ela e riu também.

   - Ainda está com medo por causa do que passou com Giovanni? – o nome saiu com um tom de nojo.

   - Sim – respondeu ela – Ji-ho sabe um pouco do que houve e tem sido bem compreensivo.

   - E quando eu vou poder conhecer esse Ji-ho?

   - Ele está viajando – disse Myung.

   - Se ele me ligar peço para fazermos vídeo chamada – Belle olhou o celular para ver se ele havia respondido.

   Eles conversaram por um bom tempo, Belle e Matheo contaram sobre a infância deles, conversaram sobre o que estava acontecendo em suas vidas atualmente, Matheo e Ban-ryu conversaram um pouco para se conhecerem até que quase as 1h da manhã Ji-ho ligou para Belle.

   - Oi – atendeu ela entre risadas – você está bem?

   - Estou sim – respondeu – desculpe a demora, estava separando algumas fotografias. Você parece animada.

   - Tive uma surpresa hoje depois que desligamos – então Belle contou sobre o encontro com os colegas da companhia de dança de Génova e a visita de Matheo – ele está aqui em casa e quer te conhecer, podemos nos falar por vídeo?

   - Claro, me dá só um minuto – ele desligou e poucos segundo depois fez a chamada de volta.

   - Math – Belle o chamou – esse é o Ji-ho.

   - Olá – ele falou em inglês – é um prazer conhecê-lo.

   - Oi – respondeu Ji-ho, Belle percebeu que ele estava na cama de camisa regata, deve ter posto quando desligou, pois, a camisa estava torta e do avesso – o prazer é meu, fico feliz em conhecer o irmão da Belle.

   - Pelo visto Belle falou bem de mim – disse Matheo.

   A chamada durou até as 2h30 da manhã, Ji-ho já estava quase dormindo e Belle percebeu que também precisava descansar para abrir o café no dia seguinte, então Liza e Myung foram para o quarto, Belle arrumou a sala para Ban-ryu e Matheo e também subiu os deixando sozinhos, soube que os dois ficariam conversando por mais um bom tempo.

   Quando deitou decidiu mandar uma mensagem para Ji-ho lhe desejando boa noite:

Desculpe ter segurado você ao telefone, percebi que estava cansado. E queria agradecer por ser tão carinhoso, atencioso e por ter sido receptivo com o Matheo.

Não vejo a hora de você voltar, sinto sua falta.

Tenha uma boa noite e bons sonhos.

Beijos, Belle

   Belle pegou no sono antes que Ji-ho a respondesse, mas ao ver a mensagem quando saiu do banho de manhã sentiu o coração aquecer e um sorriso surgiu automaticamente em seus lábios.

   - Bom dia maninha – disse Matheo entrando no quarto – pelo visto você está ótima.

   - Bom dia Math – Belle olhou para ele – por que acordou tão cedo?

   - Preciso voltar para o Hotel e ajudar a mamma com algumas coisas – explicou se jogando na cama – qual o motivo desse sorrisinho? 

   - Isso aqui – ela mostrou a mensagem de Ji-ho.

Não se desculpe Belle, passaria a noite acordado conversando com vocês, mas você também precisava dormir.

   Você merece todo o amor e carinho, e eu quero muito poder te dar tudo isso e te fazer feliz.

 Queria ter conhecido ele pessoalmente, gosto de pessoas que te fazem sorrir então eu automaticamente gosto dele, espero ter a oportunidade de encontrá-lo um dia.

   Estou morrendo de saudades, queria que você pudesse estar aqui, tenho certeza que amaria esse lugar, e eu adoraria tirar fotos suas aqui, ficariam perfeitas.

   Vou sonhar com você, boa noite Belle.

   Com amor, Jo-ho <3

   - Ele gosta mesmo de você – disse Matheo devolvendo o celular para ela – e parece que você também gosta dele.

   - Eu gosto – ela se levantou e pegou o uniforme do trabalho – ele é um cara incrível, um ótimo fotógrafo, é gentil, engraçado, inteligente, gosta de Harry Potter.

   - Bônus – riu Matheus.

   - Eu não sei explicar – disse ela começando a se trocar – mas eu nunca me senti assim, nem quando me apaixonei por você – ela deu risada.

   - Você achava que estava apaixonada por mim – corrigiu ele – e você está enrolando por medo.

   - Não começa – disse ela virando-se para encarar Matheo – você mais do que ninguém sabe por tudo o que eu passei.

   - Exatamente por isso que eu acho que você deveria parar com isso e dar uma chance de ficar com ele – ele suspirou – vocês nem namoram e você já fica toda boba quando fala com ele ou dele, para de negar a si mesma o que você sabe que vai te fazer feliz.

   - E se não der certo e eu perder a amizade dele? – questionou.

   - Você realmente acha que ele seria do tipo que deixaria de ser seu amigo se não desse certo? – Ele ergueu uma sobrancelha.

   - Acho que não – disse.

   - Então conversa com ele e se resolvam – ele se levantou da cama e parou de frene para Belle que estava terminando de colocar a camisa do trabalho – vai ser feliz meu amor, porque você merece, depois de tudo que aconteceu, e eu não me refiro só ao imbecil do Giovanni, eu digo em relação a tudo. Você merece a sua felicidade.

   - Ai Math – disse ela – você não sabe o quanto eu senti sua falta.

   - Eu sei querida – disse – ele consegue acabar com a sua banca de durona.

   - Não tenho banca de durona – protestou.

   - Você já olhou seu estilo, suas tatuagens e o seu jeito? Quem não te conhece pensa isso de você – houve uma pausa e os dois riram – já está saindo? 

   - Sim, preciso abrir o café – respondeu – vai comigo?

   - Vou sim – ele olhou para a fotografia acima da cama – Bela imagem.

   - Ji-ho quem me deu – disse rindo.

   Eles foram juntos até a Coffee Bean onde Matheo se despediu, ao entrar Belle organizou tudo antes dos demais chegarem e de abrir o café, percebeu que teria um tempo e resolveu mandar uma mensagem para Ji-ho onde lhe desejou que tivesse um bom dia, se sentou em seu lugar favorito com um livro e aguardou a chegada dos colegas de trabalho.

   O dia passou rápido e o café teve bastante movimento, Ban-ryu apareceu no horário de almoço de Belle e ficou conversando com ela sobre Matheo.

   - Ele é muito legal – disse ele enquanto almoçavam – não imaginava que ele se interessaria por mim.

   - Eu me surpreenderia se ele não se interessasse por você – falou.

   - Uma pena que ele vai embora logo - ele parecia deprimido – quando eu acho um cara legal ele mora do outro lado do mundo.

   - Math vai aparecer aqui mais vezes – tentou animá-lo – agora que ele sabe exatamente onde eu estou ele vai vir aqui sempre que der.

   - Espero – disse ele – de qualquer forma peguei o contato dele e vamos nos ver até ele ir embora.

   - Meus dois melhores amigos juntos – ela olhou para o jardim – o mundo não estaria preparado para vocês.

   - Nunca vai – ambos riram.

   No final do dia Matheo foi até o café e ficou conversando com Ban-ryu enquanto Belle e Liza trabalhavam.

   - Olha – começou Liza ao se sentar com os dois quando o café fechou – não sei como você está conseguindo lidar com tudo Belle.

   - O fato de saber que é temporário – respondeu – Math você vai embora com a sua mãe amanhã?

   - Nós vamos depois de amanhã – disse ele – vamos ir cedo.

   - Podíamos ir ao Le Chamber depois de fechar o café – Sugeriu Liza – seria uma boa despedida.

   - Seria mesmo – concordou Belle – passamos tão pouco tempo juntos, nem acredito que você já vai embora.

   - Mas eu vou voltar aqui em outubro – disse Matheo – vou passar duas semanas aqui, espero conhecer o restante dos seus amigos.

   - Quando vier em outubro vamos sair com todo mundo para você conhecer.

   - O que você planejou para o seu aniversário? – Perguntou ele.

   - Ainda nada – respondeu ela – mas você estará aqui no meu aniversário?

   - Se tudo der certo vou embora dois dias depois – afirmou.

   - Belle quando é o seu aniversário? – Perguntou Ban-ryu.

   - Dia 31/10 – disseram Liza, Belle e Matheo juntos.

   - Você faz aniversário no dia das bruxas? – ele se animou – podemos fazer uma festa fantasia.

   - É um pouco clichê – disse Matheo – mas seria uma boa, e seu aniversário cai na sexta.

   - Depois definimos melhor sobre meu aniversário – disse ela – vamos embora?

   - Vamos – disse Liza – Matheo vai lá para casa?

   - Hoje vou para o hotel, e vocês podem descansar – disse – o Ban-ryu vai me fazer companhia.

   - Então nos vemos amanhã?

   - Claro meu amor – ele a abraçou e saiu do café com Ban-ryu.

   As duas foram para casa e Belle foi tomar banho e se sentou na varanda de seu quarto com o livro “O Mistério do rio das rosas brancas” que gostava tanto, quando estava quase na metade do livro entrou e foi para a cama.

   O dia seguinte foi igualmente corrido, porém ao final do dia Belle percebeu que daria para fechar um pouco mais cedo para saírem, então Ban-ryu, Myung e Matheo chegaram ao Coffee Bean as 21h30 para buscarem ela e Liza e foram para o Le Chamber.

   - Eu estava com tanta saudade de você Belle – disse Matheo ao chegarem – estou feliz que minha mãe viu você na Coffee Bean.

   - Embora isso provavelmente faça com que a criatura saiba onde estou, foi ótimo poder ver a Sra. Esposito e principalmente por ver você.

   Eles se conversaram muito, se divertiram, rolou até um beijo entre Matheo e Ban-ryu ao final da noite com uma promessa de manter contato.

   - Foi muito bom matar a saudade – Belle deu um abraço muito forte em Matheo – vê se não some agora que tem meus números e meios de contato.

   - Pode deixar maninha – disse ele – agora vou te encher o saco.

   - Foi muito bom te ver de novo Math – disse Liza – nos vemos em outubro.

   - Foi um prazer conhecer todos vocês – disse ele – até a próxima.

   Depois que deixaram Matheo no hotel eles levaram Ban-ryu para casa. Myung dormiria na casa das meninas e quando chegaram Belle foi direto para a cama, estava com medo de Giovanni descobrir onde estava, ir atrás dela e causar uma situação, mas mesmo com medo, ela estava tão feliz de ter reencontrado seu melhor amigo que tirou isso da cabeça e logo pegou no sono.

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